Nesse artigo vou falar especificamente sobre a estrutura física e em como ela deve mudar, visto que as diretrizes educacionais e metodológicas estão tomando novos rumos e muito mais que isso, a sociedade tem tomado um rumo que diz respeito a todos os negócios. Vejamos o caso do Uber, da Airbnb, o que antes era imprescindível e imutável transformou-se rapidamente.

Cada dia mais as palavras integração, compartilhamento, eco e igualdade estão no nosso vocabulário. E a escola, vai continuar a mesma? A clássica sala retangular replicada à décadas?

Vejamos, para que funcione a escola tradicional particular precisa ter uma estrutura física que se encaixe em três pontos:

  • estrutura física exigida pela vigilância sanitária
  • estrutura física exigida pelo método, ex: Montessori que propõe que escola seja igual ao lar
  • estrutura física que possibilite lucratividade (números de aluno X metros quadrados X números de professores), afinal a escola particular é uma empresa.

Até aqui tudo ok, mas e a escola nova, a escola da era digital? Essa escola que precisa estar preparada para receber e atender a nova geração que quer aulas de empreendedorismo, sustentabilidade na prática, finanças pessoais, liderança, inteligência emocional, direito e língua estrangeira (de verdade).

Para Flávio Augusto, do blog Geração de Valor e um dos empreendedores mais influentes do Brasil é preciso repensar, nas palavras dele: ‘Eu vejo muito, mas muito valor na pré-escola. É o momento em que a criança tem uma de suas primeiras experiências sociais, desenvolve suas habilidades cognitivas, coordenação motora e é alfabetizada. É uma educação altamente produtiva. Da 1ª a 4ª séries, a concentração em português, matemática e ciências, traz um conteúdo interessante e importante para a base da educação dessa criança. O problema é que o formato falido da educação vigente já começa a colocar a cabeça para fora. Estou falando de uma sala enfileirada, a maldita prova que induz a decoreba e a busca por notinhas na média começam a aparecer nessa fase”.

Diante disse, como já podemos ir pensando e criando algumas alterações para contribuir com essas mudanças? Alguns ambientes podem reformular o estilo arquitetônico da escola, por exemplo:

  1. uma biblioteca integrada (diferente daquela toda fechada e com fileira enormes de livros)
  2. espaço de convivência que propõe a integração (e não exclusão como na maioria dos casos)
  3. espaço verdes com horta orgânica
  4. espaços de apresentações que estimulem o falar em público
  5. diferentes estruturas para esportes não tão convencionais e que são ótimos para a saúde
  6. solários que permitam banho de sol
  7. locais que proponham a integração dos pequenos com os maiores
  8. locais que proponham a visita de alunos de outras escolas
  9. a utilização de salas que ficam vazias e ociosas durante meio-período
  10. berçários que atendam no período noturno, para mães e pais que fazem faculdade a noite e ficam de dia com o filho.

Enfim, são inumeráveis as possibilidades. Todos sabemos que o sonho de todo gestor escolar é ter uma bela estrutura, capaz de acomodar confortavelmente seus alunos, porém, por questões geralmente financeiras nem sempre isso acontece. Por isso acredita-se que o projeto arquitetônico deve estar aliado a um cronograma-físico financeiro de viabilização. Assim, sabendo o quanto irá gastar, o número de alunos ou mensalidade que irá aumentar o gestor pode se programar para executar seu sonho.

Valéria Zamboni – Arquiteta de Escolas