Alguns locais como EUA, Inglaterra e outros países europeus “discutem o ensino de uma maneira ampla, onde o ambiente físico é considerado um elemento essencial na busca da qualidade do aprendizado.”

Uma das entidades que dá suporte a esses países é a CABE (Commission for Architecture and the Built Environment). Essa instituição é referência mundial e apresenta uma lista de dez critérios que deveriam ser usados ao se projetar uma escola (CABE, 2007), são eles:

Identidade e contexto: criar ambientes de que os usuários e a comunidade pode se orgulhar;

  1. Implantação: otimizar o aproveitamento do lote;
  2. Área externa da Escola: ganhar proveito das áreas externas;
  3. Organização: criação de um diagrama claro para os edifícios;
  4. Edificações: síntese da forma, dos volumes e da harmonia;
  5. Interior: criando espaços de excelência para ensino e aprendizagem;
  6. Estratégias de sustentabilidade;
  7. Segurança: criando um lugar seguro e acolhedor;
  8. Vida longa, liberdade de possibilidades: criar um projeto escolar que se adapta e que tenha capacidade de evoluir com o tempo;
  9. Síntese de sucesso: projetos que funcionam na sua totalidade.

Sabemos que hoje, no Brasil, na maioria das vezes os critérios para se projetar são custo e quantidade de alunos, porém seria um grande passo se pudéssemos pensar algumas escolas dessa maneira. Um dos métodos para se fazer isso é por meio de um cronograma físico-financeiro que possibilite a viabilização da edificação.

Como organizar as salas e ambientes pedagógicos?

Para atualizarmos as escolas brasileiras precisamos estar atentos aos protocolos e estudos internacionais, um exemplo é o número de possibilidades de configuração que uma sala de aula ou ambiente pedagógico deve apresentar segundo Nair & Fielding (2009), são eles:

 

  1. Estudo independente;
  2. Trabalhos em grupo;
  3. Trabalho em grupos pequenos de 2 – 6 alunos;
  4. Instrução aluno + professor;
  5. Palestra, professor ou especialista convidado ocupando o palco principal;
  6. Ensino baseado em projetos temáticos;
  7. Aprendizado com base notebooks ou tablets;
  8. Ensino a distância;
  9. Pesquisa pela internet sem fio;
  10. Apresentações dos alunos;
  11. Apresentações teatrais ou de música;
  12. Ensino por meio da instrução por seminários;
  13. Aprendizado por meio de serviço comunitário;
  14. Aprendizado por meio da natureza;
  15. Aprendizado social e emocional;
  16. Ensino baseado em artes;
  17. Ensino por meio de conto de histórias;
  18. Construção do próprio aprendizado, colocando os alunos em contato com situações práticas.

O que acontece hoje na maioria da escolas brasileira é um padrão onde o professor faz a explicação oral e os alunos sentam enfileirados, quando muito é feito a possibilidade de carteiras formando uma roda. Em primeiro lugar, para que isso seja possível as escolas precisam tomar conhecimento dessas ideias.

 

Valéria Zamboni – Arquiteta de Escolas

 

Referências Bibliográficas:

CABE. Building schools for the future. a guide for clients. London, UK: Comission for Architecture and the Built Environment, 2007.

NAIR, P.; FIELDING, R. The Language of School Design: Design Patterns for 21st Century Schools, Fully Revised 2nd Edition. 2nd. ed. [S.l.]: Designshare, Inc., 2009.

Kowaltowski, Doris C.C.K.; Moreira, Daniel de Carvalho; Deliberador, Marcella S.; O programa arquitetônico no processo de projeto: discutindo a arquitetura escolar, respeitando o olhar do usuário. SBPQ, São Paulo, 2012.