Ao visitar escolas de várias regiões do Brasil deparamo-nos com as mais diversas situações. Em janeiro/16, tive a oportunidade de conhecer algumas escolas curitibanas e alguns pontos chamaram a minha atenção. As mensalidades variavam de médio e alto padrão contemplando do berçário até o ensino fundamental. Peregrinando pela capital paranaense constatei que os mesmos problemas ocorridos lá se repetem em escolas no interior do Paraná e de São Paulo.

Acompanhe abaixo 06 itens problemáticos que são muito comuns, no que tange a estrutura escolar.

Será que a sua escola tem alguma semelhança com os pontos observados e elencados aqui?

O imóvel é uma casa antiga: Inúmeros são os casos de escolas que reutilizam a estrutura de uma casa, porém, geralmente as reformas não saem da maneira certa pela falta de um arquiteto para orientar. O que ocorre é que as salas ficam sem ventilação cruzada, falta ambientes para salas como a multiuso ou a dos professores. Os banheiros nem sempre estão de acordo com a norma de acessibilidade e a cozinha que deve ter quatro cubas fica apenas com uma, entre inúmeros itens que poderíamos citar. Nesse caso o barato costuma sair caro.

Salas pequenas: No caso das escolas que reaproveitam o espaço de uma residência, no geral, cada quarto é uma sala de aula. Porém isso implica em salas pequenas que levam a duas situações: alunos empilhados/fora da norma ou poucos alunos/lucro zero. Como resolver: por exemplo, uma sala de maternal I deve ter metragem quadrada mínima exigida pela norma que é de 1,5m² por aluno. Junto a isso uma professora de maternal só poderá atender 8 crianças, ou seja, a sala deverá ser no mínimo de 12m², ao contrário disso não estaremos usando o máximo desse local!

Desperdício de energia: Como não possuem artifícios de automação gastam mais do que se investissem ao menos um pouco nesse item. As janelas nem sempre estão do tamanho e no local certo, o que gera maior necessidade de lâmpadas acesas por mais tempo. Poucos se aproveitam da iluminação zenital (aberturas ou transparências no forro), que além de ajudar na economia, embeleza.
Pisos: Uma grande vantagem é ter um piso térmico onde a criança possa engatinhar ou sentar sem ter o contato com o piso frio. Que mãe não repara nesse fator? Porém algumas escolas insistem em manter a cerâmica ou taco sendo que esse último não é permitido. Hoje temos como ótima opção, o piso vinílico, o qual é possível fazer um rodapé arredondado que não permite o acumulo de sujeira pois não tem cantos.

Salas inspiradoras: No geral as escolas não têm nada que as diferenciem, nenhuma sala especial que possa atrair a criançada. Pense bem, uma sala com pufs e redes, livros distribuídos em nichos, paredes com lâminas de lousa coladas por toda sua extensão permitindo desenhar por toda ela e por aí vai! É preciso investir e criar mais ambientes lúdicos, um local que a criança queria permanecer.

Mas aí você pensa: mas eu não tenho espaço para isso. Bem, veja o caso de uma escola que propusemos uma biblioteca aberta embaixo da escada (imagem acima que ilustra este post), com colchonetes fixos, rolinhos de espuma, nichos e prateleiras de livros. Esse espaço antes era deixado como depósito e muito pouco aproveitado, não é uma questão de ter espaço e sim de pensar o espaço.

Falta de padronização: Implementar um padrão nas salas de aula pode sair mais barato do que diversificar e além disso, deixará o ambiente mais harmonioso. As cores, os móveis e as texturas devem ser padronizados e escolhidos por um profissional. Assim é possível fortalecer a marca, registrando um perfil para a escola, este perfil pode ser contemporâneo, moderno, lúdico, hitech entre outros, esse padrão depende das escolhas do proprietário e de que imagem a escola quer passar.

E a sua escola, também tem alguns desses problemas? Ou são outros? Conte para nós, estamos curiosos para conhecer sua escola! Ao conhecer os problemas podemos buscar soluções.

Valéria Zamboni – Arquiteta de Escolas